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A importância cada vez maior das pessoas nas empresas
jul 19th, 2007 by Marcelo

Com o contínuo avanço da tecnologia e a abrangência cada vez maior da Internet, estamos presenciando uma grande globalização bem como o rompimento de fronteiras regionais e da inovação. Parece que mais nada é impossível.

Isso cria um universo de possibilidades em todos os sentidos. 

As conseqüencias?

Por exemplo, há duas décadas, ouvíamos música no toca-discos, e a mídia era o velho LP (long play). Depois veio o K7 e depois o CD aposentou de vez o LP. Agora, muitos nem usam mais CD, pois podemos baixar a música pela Internet em formato digital, transportá-la em pen drives e ouvi-las em iPods, sendo que, em breve, estaremos ouvindo música a partir de nosso telefone celular (iPhone e similares). 

Estas mudanças não afetaram apenas a maneira como ouvimos música, mas afetaram todo o mercado da música.

Mas não foi só o LP que nos deixou. Foram também as máquinas de escrever, as câmeras fotográficas com filmes em película, o fotolito, o FAX, o palito de fósforo e inúmeras outras coisas que rapidamente estão ficando no passado. 

Mas, para cada coisa que fica para trás, outras novas entram no seu lugar e com estas surgem novas culturas e novos mercados tão rapidamente quanto os antigos deixam de existir. 

Nesta mesma velocidade, surgem novas empresas que em pouco tempo conquistam valor, às vezes muito valor. Por exemplo, o Google praticamente não existia há 10 anos. Uma década depois, vale hoje US$ 168 Bi. Isto é mais do que 10 Fords (US$ 15 bi) ou 8 GMs (US$ 18 bi). 

Da mesma forma, profissões deixam de existir e outras novas surgem a cada dia. 

Desde pequeno ouvi que, com a tecnologia, as máquinas tomariam os lugares dos humanos, que a tecnologia fomentava o desemprego. Ouvia coisas do tipo: “as máquinas vão tomar os lugares dos trabalhadores”, “antes trabalhadores colhiam, hoje, colheitadeiras fazem isso” ou ainda “homens trabalhavam na fabricação de carros, hoje, com linhas de produção automatizadas, robôs fazem este serviço”. 

Mas quer saber a verdade? Eu nunca concordei com este raciocínio. Será que ninguém percebeu que, por outro lado, alguém tem que criar, produzir e vender tais máquinas, os robôs das linhas de montagens e as colheitadeiras automatizadas? Sim, algumas profissões deixarão de existir, é fato, mas por outro lado, outras surgirão em seu lugar. Por isso eu sempre discordei de que “a tecnologia e as máquinas tomariam os lugares dos seres humanos”. 

E se as máquinas farão cada vez mais o trabalho mecânico, operacional e repetitivo. Caberá aos humanos, cada vez mais, o trabalho mental, criativo e estratégico. 

Ou seja, o que está havendo, e não é de hoje, é uma mudança no perfil das necessidades de trabalho do mercado e conseqüentemente, uma mudança no perfil do trabalhador, sendo este cada vez menos mecânico e operacional e cada vez mais criativo, estratégico e intelectual. 

Relembrando agora o início deste artigo e sabendo que o custo de aquisição de tecnologia, de máquinas e equipamentos fica a cada dia mais barato e, por conseqüência, está cada vez mais ao alcance das empresas, é fácil perceber que praticamente qualquer empresa poderá ter acesso a todas estas tecnologias disponíveis.  

Mas se então todas as empresas terão as mesmas tecnologias, onde ficará o diferencial competitivo das empresas? 

Nas pessoas!

Sim, cada vez mais o talento humano será reconhecido. Cada vez mais estará na criatividade, na inspiração, na estratégia e no sábio uso do conhecimento adquirido o diferencial competitivo.

Por isso, o profissional talentoso e bem preparado será cada vez mais valorizado. E isso continuará assim, não importando o tamanho ou a idade de uma empresa.

Há pouco tempo, durante uma conferência, aquele que até então era o homem mais rico do planeta, Bill Gates, dono da Microsoft, disse que sua companhia tinha 20 pessoas realmente muito boas e que faziam a diferença. Segundo Gates, se esses 20 profissionais fossem embora, a Microsoft se tornaria uma empresa comum ou até mesmo insignificante no mercado. Segundo Gates, portanto, algumas poucas pessoas fazem a Microsoft.  

Percebe? Mesmo em empresas grandes, consagradas e aparentemente seguras, os talentos individuais e do grupo são definitivos para seu crescimento, existência, sucesso e continuidade. 

Meditante isso, é fácil deduzir que as empresas estão cada vez mais exigentes quanto ao perfil dos seus profissionais, e quanto o talento humano sará cada vez mais valorizado. 

Quando falamos em talento, lembramos de várias qualidades, tais como: criatividade, empreendedorismo, experiência, capacidade de trabalhar em equipe, foco, organização, formação, especialização, visão sistêmica, comprometimento, honestidade, integridade, conhecimentos em informática e Internet, conhecimento de outro idioma (preferencialmente o inglês) dentre muitas outras. 

Deduzimos também que contratar bem é e será cada vez mais importante e, preenchendo uma vaga com “quem aparecer” é algo que deveria ser abominado, pois quando não se coloca a pessoa certa no lugar certo, a empresa não se desenvolve, há grandes prejuízos e todos sofrem com isso.

Assim sendo, os profissionais responsáveis pela contratação têm uma responsabilidade cada vez maior em suas mãos, pois está nos ombros destes construir o time que fará da sua empresa um sucesso, ou um fracasso. 

Isso explica um pouco por que para muitas empresas continua difícil preencher uma vaga, mesmo havendo tantas pessoas desempregadas. Isso acontece porque as empresas procuram talentos, procuram pessoas valiosas.

Do outro lado, infelizmente muitos profissionais, não se desenvolveram e consequëntemente não são reconhecidos como talentos e por isso, acabam tendo baixa empregabilidade. 

Mediante tudo o que disse, não seria errado afirmar que o título mais adequado para este artigo poderia ser “A importância das pessoas com talento nas empresas”, pois assim como é fato que cada vez mais as pessoas serão importantes nas organizações, da mesma forma, o talento e os valores individuais serão cada vez será valorizados. 

Em alguns dos próximos artigos, abordarei aspectos que considero muito importantes e que, a meu ver, serão sempre valorizados, mas infelizmente estão cada vez mais raros de ser encontrados nas pessoas hoje.

Marcelo Abrileri, 19 de Julho de 2007 – 12:00

Pessoas

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A “realidade” do Second Life
jul 6th, 2007 by Marcelo

Tenho lido e ouvido falar muito sobre o Second Life. Vejo que grandes e respeitadas empresas têm aderido aos encantos deste novo serviço, e profissionais de destaque, em excelentes posições, têm investido polpudos recursos e defendendo que este é o futuro e que ele veio para ficar.

Sem dúvida, eu admiro o trabalho que os profissionais do Second Life estão fazendo. A proposta é interessante, bem como todo o trabalho de tecnologia envolvido, e sem dúvida admiro principalmente o trabalho do pessoal de marketing e comunicação deles. Sem dúvida, estes estão de parabéns!

Digo isso porque, diferentemente destas grandes e respeitadas empresas e seus renomados profissionais, que vêm se envolvendo e divulgando o Second Life, com todo o respeito, não concordo com todo este barulho, com todo este encantamento que a mídia vem dando e, principalmente, com o timing do Second Life.

Acho extramente duvidoso apostar no Second Life, hoje.

Falo isso porque primeiramente não vejo a Internet como um fim, mas quase sempre, como um meio. As pessoas vão para a Internet para buscar informações, procurar empregos ou profissionais, comprar e vender coisas, encontrar conhecidos ou até mesmo conhecer novas pessoas para sair, interagir e namorar.

Em segundo lugar, quando utilizamos a Internet para interagir com outras pessoas (via e-mail, Messenger, Skype e similares), queremos fazê-lo do modo mais objetivo e prático possível, porque a finalidade neste caso é poder se expressar e receber de volta o que a outra pessoa escreve ou fala. Perceba então que, novamente, o foco está no conteúdo, e não o meio em si.

Ou seja, em praticamente qualquer caso, a Internet é quase sempre um meio, que ajuda as pessoas a viverem melhor suas vidas aqui fora, no First Life.

A meu ver, o que queremos é sentir o calor do sol, ouvir o barulhinho da chuva, os sons dos passarinhos, saborear uma boa comida, admirar uma flor ou uma bela paisagem, namorar, amar, ou seja, viver a vida como ela é, com todos os nossos sentidos, vendo, ouvindo, cheirando, tocando e experimentando, tudo do nosso velho e bom jeito de viver.

É fato que vamos, sim, utilizar cada vez mais a Internet, mas como meio, como ferramenta, para encontrar o que fazer aqui fora, no mundo real.

Há, no entanto, uma ressalva importante a se fazer, uma exceção nesta história. Infelizmente existem pessoas que não estão bem momentaneamente ou que não estão bem adaptadas à vida real.

Algumas pessoas têm problemas em se mostrar por qualquer que seja o motivo, ou porque não estão bem com sua aparência ou porque têm dificuldades em se relacionar, ou qualquer outra coisa do gênero. Estes, sim, provavelmente desejarão viver no virtual, no Second Life, onde poderão contornar suas inconformidades, criando personagens virtuais do jeito que não são na realidade.

Tirando este universo de pessoas, eu não consigo imaginar por que alguém deixaria de viver o First Life para gastar seu tempo no Second Life.

Mesmo assim, fui ver tudo de perto. Baixei o software, instalei, fiz meu login, construí meu avatar (o bonequinho do Second Life) e interagi com o sistema. Não há dúvida que a proposta é muito interessante, mas como disse, não consegui perceber que há apelo suficiente para me tirar daqui da minha vida real. Depois que tive este primeiro contato, voltei mais uma ou duas vezes, e a vontade de continuar lá foi se esvaindo. A curiosidade e o apelo de conhecer podem até existir, mas compreendo que o apelo para continuar é muito, muito fraco.

Vale dizer ainda que eu trabalho com tecnologia, acredito que tenho mente aberta e estou cercado de pessoas abertas, que vivem tecnologia no seu dia-a-dia e que em geral compram fácil todas estas novidades.

Pois mesmo estando inserido neste universo de pessoas, não conheço ninguém que está lá, no Second Life. Alguns até já interagiram e também fizeram seu avatar, mas ninguém continuou lá.

Então, não tenho como não concluir que, infelizmente, o que está acontecendo é o velho efeito “Maria vai com as outras”.

Ironizando: afinal, se a Empresa X entrou, então deve ser bom. Se o Beltrano da Empresa Y e o Ciclano da Empresa Z estão lá, ou estão falando bem do assunto, então deve ser algo bom e deve ter futuro!

:-\

Não quero dizer com tudo isso que a idéia não seja interessante, ou mesmo que não tenha lá o seu apelo. Mas a meu ver, o barulho que está sendo feito é muito, muito maior do que o Second Life é capaz de nos oferecer de fato.

No entanto, lá na frente, bem lá na frente, no futuro, que eu diria ainda estar um pouco distante, quando pudermos usar nossos sentidos reais para interagir com o mundo virtual (paladar, olfato, audição, tato e visão), como se estivéssemos no mundo real, aí sim, a meu ver, o Second Life terá todos os méritos que ele está recebendo hoje, e eu mesmo o indicaria para que bons investimentos fossem feitos nele.

Portanto, não consigo deixar de concluir que se o Second Life resistir aos dias de hoje, estarão nele praticamente aqueles que não conseguiram ter êxito aqui no mundo real e foram buscar uma via alternativa, uma válvula de escape, pois para mim, quem é bom da cabeça e saudável vai querer continuar a curtir as delícias da vida real, que estão aqui fora, no First Life.

Marcelo Abrileri, 6 de Julho de 2007 – 22:00

Second Life Enviroment

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