Com o contínuo avanço da tecnologia e a abrangência cada vez maior da Internet, estamos presenciando uma grande globalização bem como o rompimento de fronteiras regionais e da inovação. Parece que mais nada é impossível.
Isso cria um universo de possibilidades em todos os sentidos.
As conseqüencias?
Por exemplo, há duas décadas, ouvíamos música no toca-discos, e a mídia era o velho LP (long play). Depois veio o K7 e depois o CD aposentou de vez o LP. Agora, muitos nem usam mais CD, pois podemos baixar a música pela Internet em formato digital, transportá-la em pen drives e ouvi-las em iPods, sendo que, em breve, estaremos ouvindo música a partir de nosso telefone celular (iPhone e similares).
Estas mudanças não afetaram apenas a maneira como ouvimos música, mas afetaram todo o mercado da música.
Mas não foi só o LP que nos deixou. Foram também as máquinas de escrever, as câmeras fotográficas com filmes em película, o fotolito, o FAX, o palito de fósforo e inúmeras outras coisas que rapidamente estão ficando no passado.
Mas, para cada coisa que fica para trás, outras novas entram no seu lugar e com estas surgem novas culturas e novos mercados tão rapidamente quanto os antigos deixam de existir.
Nesta mesma velocidade, surgem novas empresas que em pouco tempo conquistam valor, às vezes muito valor. Por exemplo, o Google praticamente não existia há 10 anos. Uma década depois, vale hoje US$ 168 Bi. Isto é mais do que 10 Fords (US$ 15 bi) ou 8 GMs (US$ 18 bi).
Da mesma forma, profissões deixam de existir e outras novas surgem a cada dia.
Desde pequeno ouvi que, com a tecnologia, as máquinas tomariam os lugares dos humanos, que a tecnologia fomentava o desemprego. Ouvia coisas do tipo: “as máquinas vão tomar os lugares dos trabalhadores”, “antes trabalhadores colhiam, hoje, colheitadeiras fazem isso” ou ainda “homens trabalhavam na fabricação de carros, hoje, com linhas de produção automatizadas, robôs fazem este serviço”.
Mas quer saber a verdade? Eu nunca concordei com este raciocínio. Será que ninguém percebeu que, por outro lado, alguém tem que criar, produzir e vender tais máquinas, os robôs das linhas de montagens e as colheitadeiras automatizadas? Sim, algumas profissões deixarão de existir, é fato, mas por outro lado, outras surgirão em seu lugar. Por isso eu sempre discordei de que “a tecnologia e as máquinas tomariam os lugares dos seres humanos”.
E se as máquinas farão cada vez mais o trabalho mecânico, operacional e repetitivo. Caberá aos humanos, cada vez mais, o trabalho mental, criativo e estratégico.
Ou seja, o que está havendo, e não é de hoje, é uma mudança no perfil das necessidades de trabalho do mercado e conseqüentemente, uma mudança no perfil do trabalhador, sendo este cada vez menos mecânico e operacional e cada vez mais criativo, estratégico e intelectual.
Relembrando agora o início deste artigo e sabendo que o custo de aquisição de tecnologia, de máquinas e equipamentos fica a cada dia mais barato e, por conseqüência, está cada vez mais ao alcance das empresas, é fácil perceber que praticamente qualquer empresa poderá ter acesso a todas estas tecnologias disponíveis.
Mas se então todas as empresas terão as mesmas tecnologias, onde ficará o diferencial competitivo das empresas?
Nas pessoas!
Sim, cada vez mais o talento humano será reconhecido. Cada vez mais estará na criatividade, na inspiração, na estratégia e no sábio uso do conhecimento adquirido o diferencial competitivo.
Por isso, o profissional talentoso e bem preparado será cada vez mais valorizado. E isso continuará assim, não importando o tamanho ou a idade de uma empresa.
Há pouco tempo, durante uma conferência, aquele que até então era o homem mais rico do planeta, Bill Gates, dono da Microsoft, disse que sua companhia tinha 20 pessoas realmente muito boas e que faziam a diferença. Segundo Gates, se esses 20 profissionais fossem embora, a Microsoft se tornaria uma empresa comum ou até mesmo insignificante no mercado. Segundo Gates, portanto, algumas poucas pessoas fazem a Microsoft.
Percebe? Mesmo em empresas grandes, consagradas e aparentemente seguras, os talentos individuais e do grupo são definitivos para seu crescimento, existência, sucesso e continuidade.
Meditante isso, é fácil deduzir que as empresas estão cada vez mais exigentes quanto ao perfil dos seus profissionais, e quanto o talento humano sará cada vez mais valorizado.
Quando falamos em talento, lembramos de várias qualidades, tais como: criatividade, empreendedorismo, experiência, capacidade de trabalhar em equipe, foco, organização, formação, especialização, visão sistêmica, comprometimento, honestidade, integridade, conhecimentos em informática e Internet, conhecimento de outro idioma (preferencialmente o inglês) dentre muitas outras.
Deduzimos também que contratar bem é e será cada vez mais importante e, preenchendo uma vaga com “quem aparecer” é algo que deveria ser abominado, pois quando não se coloca a pessoa certa no lugar certo, a empresa não se desenvolve, há grandes prejuízos e todos sofrem com isso.
Assim sendo, os profissionais responsáveis pela contratação têm uma responsabilidade cada vez maior em suas mãos, pois está nos ombros destes construir o time que fará da sua empresa um sucesso, ou um fracasso.
Isso explica um pouco por que para muitas empresas continua difícil preencher uma vaga, mesmo havendo tantas pessoas desempregadas. Isso acontece porque as empresas procuram talentos, procuram pessoas valiosas.
Do outro lado, infelizmente muitos profissionais, não se desenvolveram e consequëntemente não são reconhecidos como talentos e por isso, acabam tendo baixa empregabilidade.
Mediante tudo o que disse, não seria errado afirmar que o título mais adequado para este artigo poderia ser “A importância das pessoas com talento nas empresas”, pois assim como é fato que cada vez mais as pessoas serão importantes nas organizações, da mesma forma, o talento e os valores individuais serão cada vez será valorizados.
Em alguns dos próximos artigos, abordarei aspectos que considero muito importantes e que, a meu ver, serão sempre valorizados, mas infelizmente estão cada vez mais raros de ser encontrados nas pessoas hoje.
Marcelo Abrileri, 19 de Julho de 2007 – 12:00
