Presunção

Era uma vez um cão e sua dona. O cão era tão fiel que a mulher podia até sair e deixar seu bebê com ele, o que fazia com frequência para cuidar de outros assuntos. Ela sempre voltava e encontrava a criança em paz, muitas vezes dormindo profundamente com o cão fiel sempre ao seu lado. Alguns cães são realmente bastante protetores e este era o caso deste, mesmo sabendo que se trata de um animal irracional.

Certo dia algo diferente aconteceu. A mulher, como de costume, havia deixado o bebê nas “mãos” do seu cão e foi às compras, mas, quando voltava, ouviu a certa distância barulho de latidos e rosnar do seu cão. Correu até sua casa e se deparou com uma cena bastante desagradável, além de encontrar uma enorme bagunça em toda a casa, ao chegar no quarto viu o bercinho do bebê todo desmantelado, fraldas e roupas rasgadas e espalhadas pelo chão além de manchas de sangue por todos os lados, onde havia deixado a criança.

A mulher nesta hora perdeu completamente o controle e tomada de ira, começou a gritar o nome do cachorro quando de repente viu ele saindo de outro quarto, todo coberto de sangue, enquanto que lambia o sangue que saia da boca. Ela não teve dúvidas e partiu para cima do cão com o primeiro pedaço de pau que encontrou pela frente e bateu nele severamente, muitas vezes. O cão tentou fugir, tentou reagir, mas estava impotente diante da enorme fúria da mulher que acabou sendo implacável, terminando este embate apenas quando percebeu que o cão já não tinha mais vida.

A mulher exausta ajoelha e começa a chorar e a se culpar por ter confiado seu filho a este animal. Em meio aos prantos começou a vasculhar a bagunça da casa quando de repente começou a ouvir um choro de criança vindo do banheiro. Correu até o banheiro e encontrou a criança ali, dentro do box do banho. Feliz da vida pegou seu filho no colo e o abraçou ternamente. Nesta hora ambos choravam muito e, voltando ela para a sala, passou pelo quarto da onde havia saído o cão e percebeu nele muito sangue, verdadeiras poças de sangue. Entrou então neste quarto e vasculhando melhor a bagunça tomou um enorme susto quando se deparou com uma cobra gigantesca, com mais de 2 metros de comprimento, mas já sem vida e toda estraçalhada.

Nesta hora a mulher compreendeu melhor tudo o que havia acontecido. O cão na verdade lutou para proteger a criança da cobra e não deve ter lutado pouco, dada a enorme bagunça da casa. Analisando melhor a cena ela percebeu que ele havia, conseguido levar a criança em segurança para o banheiro, enquanto posteriormente encurralava a cobra noutro cômodo, num dos quartos, onde lutou bravamente com ela até que a cobra morresse, defendendo desta forma a vida do bebê que protegia.

Nesta hora a mulher perdeu suas forças e caiu em prantos sentindo um profundo arrependimento do que havia feito, pois nada mais poderia fazer para desfazer o dano que havia causado. Infelizmente no momento da fúria, ela analisou rapidamente os fatos, julgou erroneamente e culpando o cão por tudo e o acabou matando. Ato este que irá, com certeza, se arrepender pelo resto de sua vida.

Que lição nós tiramos desta estória?

Quantas vezes nós também julgamos rápido demais situações ou pessoas e quantas vezes até mesmo partimos para agressão com palavras e as vezes até mesmo com ações, antes de termos tido tempo de avaliar corretamente a pessoa ou a situação?

Isso é presunção. Uma palavra que significa acreditar demais nas suas próprias verdades, julgando pessoas e situações rapidamente a partir apenas de indícios, hipóteses ou aparências, não dando tempo para que se conheça melhor todos os fatos, não dando tempo para ouvir todos os lados da história de modo a conhecer a real situação.

Um pouco mais de paciência no concluir e no julgar pode reduzir drasticamente erros que as vezes podem nos acompanhar pelo resto da vida.

Da próxima vez que tiver vontade de concluir rapidamente sobre um assunto ou uma pessoa, lembre-se desta estória.

 

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