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Hoje a Curriculum comemora 12 anos de vida!

Foram 12 anos de muito aprendizado e conquistas, mas também de momentos difíceis e muita superação.

Como expressar o que aconteceu nestes 12 anos? Muito difícil. Então, achei que ao menos seria interessante fazer um timeline dos principais acontecimentos:

1999 – Em 28 de março de 1999 coloquei o site no ar, depois de ter trabalhando por cerca de 8 meses na ideia que fundamenta a Curriculum: criar a maior vitrine de profissionais do Brasil. Começamos a ser procurados por fundos de investimentos concorrentes entre si.

2000 – No início do ano de 2000, o interesse pela Curriculum atingiu seu auge e, quando quase estava fechando com a Merrill Lynch, acabei aceitando uma contraproposta do Bank of America, que analisou a Curriculum e desejou investir nela, após ter avaliado mais de 1.500 projetos de Internet da América Latina. Partimos para a expansão, e o objetivo era levar o site a todo o mundo, começando com Brasil, Argentina, Chile e México. No entanto, com o estouro da bolha da Internet, nosso investidor nos largou aos 44 minutos do segundo tempo e ficamos sem o aporte. Tendo gastado muito dinheiro, lá estava eu cercado de dívidas e com enormes dificuldades para continuar a empresa.

2001 – Nessa época, quando você dizia que trabalhava com Internet, era como falar um palavrão, e que você era ladrão. Internet tinha virado sinônimo de espertalhões que pegam dinheiro de investidores vendendo sonhos. Não havia chance nenhuma de qualquer ajuda financeira por parte de investidores. Mesmo diante de muitas dificuldades e com plena convicção de que a Curriculum tem um ótimo futuro, criei o Sistema UCN – Unique Curriculum Number – que administra as bases de empresas de forma organizada e única, separadamente da base da Curriculum. Infelizmente, em 11 de setembro caíam as torres nos EUA, o mundo parava e as vendas não aconteciam.

2002 – Foi ano de eleição, e Lula era um forte candidato. Com isso, o risco Brasil foi às alturas, passando à marca dos 1.200 pontos, e o dólar passou dos R$ 4,00. Tempos difíceis. Em meio a tantas dificuldades, voltamos nossas atenções aos candidatos e criamos diversos serviços para melhor atendê-los. Internet ainda era um mico.

2003 – Foi um ano de muitas mudanças no cenário mundial e também no nacional. Com a posse de Lula como presidente do país, o mercado nacional ficou parado, preocupado com o que ia acontecer, mas continuamos a trabalhar cada vez mais para ajudar a recolocação de candidatos no mercado de trabalho. E a Internet continuava totalmente desacreditada. Os negócios aconteciam só no mundo real, no bricks and mortar (tijolo e cimento).

2004 – Ano difícil também, mas aí, no segundo semestre, o Google fez seu IPO e o mundo começa a olhar de novo para a Internet. Fomos abordados por um possível investidor, mas não estávamos preparados para isso. Voltei para o Business Plan e percebi que poderia fazer algo bem diferente.

2005 – Tendo conseguido um fôlego financeiro, criei e lancei o modelo grátis, que fez a Curriculum ser o primeiro site de e-recruitment do mundo a oferecer cadastro de currículo e candidatura a vagas grátis para candidatos e anúncio de vaga e pesquisa de currículos grátis para as empresas.

2006 – Tentando aprender como trabalhar sob o modelo grátis, desenvolvemos ferramentas opcionais para candidatos e empresas melhorarem seus desempenhos no site. Além disso, criamos o Consultor Virtual, serviço gratuito que dá dicas de recolocação profissional para os candidatos. Os números começaram a aparecer.

2007 – Vislumbrando muitos lançamentos e crescimento, mudamos de escritório e lançamentos o Veezux, um administrador de processos seletivos, e depois o Curriculum Busca, o “Google” dos currículos.

2008 – Ano de reestruturação interna e pouca coisa a mostrar ao mercado. Tentativas de mudança, mas que não deram certo. Ano de muita aprendizagem.

2009 – Depois do que aprendemos em 2008, voltamos às origens e retomamos muitas coisas que havíamos deixado cair em 2008. Reiniciamos uma nova reestruturação interna.

2010 – Lançamento do Meu Currículo Online, um serviço que acompanha a tendência de recrutamento online e a força da Internet e das redes sociais como meio de seleção de profissionais. Continuamos a arrumar a casa internamente.

2011 – Agora, com muita alegria e orgulho comemoramos nosso aniversário de 12 anos e em breve teremos muitas novidades a mostrar.

Com toda essa história e experiência, a Curriculum se consolidou como o maior e melhor site de empregos do Brasil.

  • Estamos hoje com mais de 5,9 milhões de currículos cadastrados;
  • Com mais de 100 mil empresas;
  • Foram mais de 3,5 milhões de vagas anunciadas desde 2010;
  • E estamos mantendo uma média de mais de 400 mil anúncios de vagas.

Tais números criam uma dinâmica que nos dá os seguintes números e tempos:

  • Uma busca por candidato a cada 32 segundos;
  • Um currículo visualizado a cada 3 segundos;
  • Um currículo cadastrado a cada 37 segundos;
  • E um profissional informa que foi contratado a cada 2 minutos (este é o número que mais me anima e um dos principais fatores que me motivam a trabalhar).

Além disso, o Sistema UCN, criado em 2001 e que abriga todas as bases de currículos de clientes da Curriculum, ultrapassou a marca de 7,5 milhões de currículos não duplicados.

Por tudo isso, eu e toda a equipe da Curriculum estamos muito felizes e satisfeitos com esses resultados e trabalharemos sempre para continuar ajudando candidatos a se recolocarem no mercado e ajudando as empresas a encontrarem os melhores talentos para a sua equipe.

Curriculum, há 12 anos iluminando talentos.


Mercado aquecido em 2011 e Janeiro, um mês de oportunidades

Mais um ano começou e, como todo começo de ano, o desejo de mudança volta mais forte na vida de todos nós, não é mesmo? Desejo de começar o regime, ir para a academia, ganhar dinheiro, mudar de emprego, e a lista vai crescendo.

A boa notícia é que o desejo de mudar de emprego está muito mais perto de se tornar realidade em 2011!

A economia brasileira nunca esteve tão favorável para o mercado de trabalho! A cada dia, milhares de novas vagas são abertas e, além disso, muitas vagas anunciadas em dezembro do ano passado ainda não foram fechadas.

Isso acontece porque o mercado está aquecido e há muitas vagas em aberto, mas faltam profissionais qualificados para ocupá-las. Por isso, muitas empresas buscam profissionais que já estão no mercado de trabalho e acabam oferecendo melhores salários e benefícios para contratá-lo.

Por tudo isso, esse é o momento certo para buscar emprego tanto para os desempregados como para os que já estão trabalhando e querem novos desafios.

Eu falo um pouco mais sobre esse assunto no programa NBLOGS, da Record News.

Assista, fique ligado nas oportunidades e comece o ano com o pé direito!

🙂

E conte com a Curriculum em 2011 e ao longo da sua carreira.

😉

Boa sorte e sucesso!

Redes sociais e a seleção de candidatos

A Internet mudou totalmente a nossa forma de interagir com o mundo. Dentre estas mudanças está a maneira de como as empresas buscam candidatos, bem como a forma dos candidatos buscarem emprego.

Até uns anos atrás, o currículo era o único instrumento que os selecionadores tinham para conhecer melhor os candidatos antes de convocá-los para uma entrevista. Hoje em dia isso já é bem diferente!

Com o crescimento das redes sociais, blogs e microblogs, há muita informação adicional sobre uma pessoa ai, distribuída pela net que podem ser muito úteis na hora de conhecer melhor um candidato a uma vaga de emprego.

No entanto, a febre do uso destes sites de networking, bem como a mídia, tem tornado estes sistemas a panaceia para todo tipo de problema, o que não é bem assim.

É fato que tais serviços vêm sendo cada vez mais utilizados para ajudar selecionadores conhecerem melhor seus candidatos e acabaram se tornando uma ferramenta muito interessante como complemento no processo de seleção. É cada vez mais comum os selecionadores, após lerem o currículo de um candidato ou mesmo durante o processo de entrevistas pessoais, partirem em busca de mais informações nos perfis dos candidatos em alguma das várias redes de relacionamento que existem na Internet, para conhecê-los melhor.

Mas, note, estou falando que as redes sociais são úteis e podem ajudar na etapa de seleção, na hora de conhecer melhor os candidatos que já foram previamente encontrados e não estou falando que elas são ferramentas úteis para encontrar candidatos.

Definitivamente as redes sociais não são o melhor lugar para buscá-los. Existem sites desenvolvidos especialmente para isso e que não só concentram um número muito maior de candidatos dentro de vários perfis como também têm ferramentas de busca especialmente desenvolvidas para encontrá-los.

Por exemplo, em redes sociais, as pessoas não cadastram uma série de informações que são importantes na hora de se buscar um candidato, tais como formação, experiências profissionais, fluência em idiomas, cursos e várias outras coisas que só existem em currículos.

O ponto é, cada ferramenta tem a sua aplicação. Fazendo um comparativo, martelo serve para martelar e alicate para segurar e apertar. Dá até para pregar um prego com um alicate, mas sem dúvida não é a melhor ferramenta para isso. Ou ainda é como querer pescar com um rifle. Você pode até conseguir pegar um ou outro peixe, mas não é a ferramenta ideal para pescar. Muito melhor sair com vara, anzol e iscas.

Lançando mão de outro exemplo, se você é uma empresa de São Paulo e estiver precisando de uma secretária para um diretor, com bons conhecimentos de inglês e espanhol, superior completo e alto nível de organização, você pode até pedir uma indicação numa rede social e talvez até receba algumas indicações. Mas nada será comparável a busca em um site especializado. Por exemplo, na Curriculum, se você fizer esta pesquisa, encontrará, num simples clique, mais de 600 currículos dentro deste perfil. Veja: http://bit.ly/secretaria_exemplo_1

Percebe a brutal diferença entre uma ferramenta e outra, e a força para encontrar candidatos que um site de recrutamento online tem nesta hora?

Ou seja, até dá para achar um ou outro candidato nas redes sociais, mas definitivamente não é a melhor ferramenta para isso! Da mesma forma como sites de currículos não são o melhor lugar para fomentar o relacionamento com amigos. Cada site foi desenvolvido e é estruturado para um propósito, cumpre bem sua própria, não tendo sido desenvolvido para atender outras necessidades.

No entanto, faço duas exceções a esta regra.

A primeira é que as vezes estamos com muita dificuldade de encontrar um certo perfil muito específico. Já procuramos em vários sites de recrutamento online e não encontramos. Nesta hora, talvez você possa até utilizar as redes sociais para auxiliá-lo a encontrar o candidato desejado. No entanto, lembre-se que ao divulgar esta sua vaga, provavelmente terá que lidar com inúmeros currículos fora do perfil desejado, o que irá consumir tempo e poderá lhe deixar em algumas saias justas.

O segundo ponto importante é que, ao desencorajar as empresas a buscarem profissionais em redes sociais, não estou dizendo que isto se aplica aos candidatos. Para candidatos a história é outra. Distribuir o currículo em redes sociais é, sim, uma forma de se divulgar ao mercado quando estiver procurando uma recolocação profissional. A diferença existe porque existem muitos processos acontecendo que não são divulgados. Portanto, ao procurar um emprego, divulgue seu currículo o mais amplamente possível, pois nunca se sabe de onde poderá surgir uma oportunidade de emprego. Lógico que o lugar onde as probabilidades de você encontrar sua recolocação são maiores, são os sites de recolocação profissional online, como a Curriculum, mas nunca se sabe onde é que sua semente (seu currículo) poderá brotar.

Em resumo, as redes sociais vieram para fomentar as redes de relacionamentos e trazem informações que podem auxiliar e complementar o processo de seleção vendo um pouco mais sobre os interesses do candidato, suas atividades e opiniões. Servem também como um apoio em processos mais difíceis, quando não se encontra o perfil desejado e para os candidatos são também uma forma de divulgar seu perfil para o mercado ao buscar uma recolocação profissional. Mas não são a ferramenta ideal para se buscar candidatos, para este fim, existem os sites de Recrutamento Online.

E por fim, fica uma dica valiosa: muito cuidado com seus perfis em redes sociais, pois eles poderão tanto ajudá-lo a conquistar um emprego, como também poderão prejudicá-lo profissionalmente. Queira ou não, o perfil reflete a personalidade e a imagem da pessoa não só para conhecidos, amigos, familiares, mas também para desconhecidos e selecionadores.

Formação acadêmica não é garantia para emprego

Há poucas décadas, ter um curso superior era um grande diferencial competitivo e tornava o candidato muito atraente para os contratantes. Era uma época em que poucos tinham acesso a uma graduação, e menos pessoas ainda chegavam a uma pós.

Hoje em dia, com o mercado altamente competitivo e a necessidade cada vez maior de se capacitar, além da ampliação do número de universidades, tornando o ensino superior cada vez mais acessível para mais pessoas, o que antes era um diferencial competitivo tornou-se praticamente um perfil padrão. A graduação hoje é tida como obrigatória para muitos cargos, principalmente os técnicos e os de liderança.

Formação passou a ser um fator básico e primordial, tanto para se conseguir um emprego como para subir na carreira. Pessoas formadas não só tem mais chances de serem contratadas como conquistam salários maiores. Neste mundo competitivo e altamente tecnológico a falta de formação e principalmente a falta de conhecimento hoje é altamente penalizada e eu diria que o conhecimento é fundamental para quase qualquer área de atuação.

No entanto, para mim e para vários outros administradores e gestores de pessoas que se preocupam com resultado e performance, em muitos casos o diferencial competitivo não está mais na formação ou mesmo nos cursos de graduação, pós e MBA. Hoje as empresas precisam de muito mais do que apenas profissionais formados ou com algum conhecimento. Elas precisam de profissionais capazes de ofertar várias outras competências importantes simultaneamente, sendo que a formação é apenas uma delas.

Veja a seguir algumas destas competências.

Competências relacionadas ao conhecimento

As empresas precisam de profissionais autodidatas, pois a quantidade de informação nova que surge todos os dias é enorme, e não estar atento às novidades é ficar desatualizado perante o mercado.

Elas precisam de profissionais que saibam se reciclar, ou seja, que joguem fora boa parte do que aprenderam na escola, pois a palavra de ordem do mundo atual é mudança. Por isso, muitas vezes o que se aprendeu na escola não é mais adequado e precisa ser reciclado.

As organizações precisam também de colaboradores que tenham tido prática na execução, por isso, experiências anteriores também acabam sendo bastante importantes. Não dá para levar em consideração quando estamos falando de pessoas em início de carreira, mas em pouco tempo o profissional que trabalha na sua área acaba conquistando uma boa bagagem e aprende na prática muito mais do que uma universidade é capaz de ensinar.

Quero salientar também a importância de aprender com os outros. Todos somos professores e alunos ao mesmo tempo, e a todo tempo temos a oportunidade de interagir com outras pessoas que muitas vezes têm bons costumes, boas práticas, formas de conduzir as coisas, formas de otimizar o tempo, de se organizar. Uma das coisas que também diferencia um bom profissional é sua capacidade de agregar novos conhecimentos através das experiências obtidas com as pessoas que conheceu e com quem interagiu.

Conhecer um segundo idioma tem sido cada vez mais importante, sendo oinglês o mais importante dentre eles. Grande parte da literatura técnica em muitas áreas e muito conteúdo disponível na Internet está predominantemente em inglês. Permanecer sem conhecimentos neste idioma fará com que o profissional perca boas oportunidades de se informar e de aprender muitas coisas.

Também um pouco de conhecimento em informática e Internet tem sido cada vez mais útil e importante. Não ter medo do computador, mas, pelo contrário, ter familiaridade com ele, ajuda muito a desempenhar bem a maioria das funções e mesmo a dar continuidade ao aprendizado nesta área.

Competências relacionadas a valores

As empresas precisam de profissionais com valores morais e éticos, principalmente para cargos de liderança, pois já se foi o tempo em que o chefe era simplesmente alguém que mandava. Hoje o gestor é aquele profissional que representa um exemplo a ser seguido por todos.

Dependendo do cargo, as companhias precisam muitas vezes de profissionais que tenham coragem para tomar decisões e correr o risco de errar, em vez de profissionais que vivem se escondendo atrás de atitudes burocráticas e medrosas.

Competências relacionadas a capacidades diversas

A criatividade tem sido mais valorizada, e não se aprende a ser criativo na escola. Criatividade tem a ver com a liberdade de pensamento. É se permitir, inovar, arriscar e até mesmo se expor ao ridículo. Hoje as empresas precisam de respostas e saídas criativas para os novos problemas que surgem a cada dia.

Saber se comunicar bem também é muito importante. Articular corretamente suas ideias, concatenar assuntos, estabelecer relações lógicas, coerentes e claras entre os fatos, assim como saber se expressar bem através da escrita também ajuda muito. Tudo isso valoriza o profissional e pode fazer dele um bom candidato e um excelente colaborador.

Competências relacionadas ao comportamento

Por fim, as competências relacionadas ao comportamento talvez sejam as mais importantes, pois a grande maioria dos profissionais é normalmente admitida em função do conhecimento, mas, em geral, demitida por mau comportamento. Sua atitude frente aos desafios, às situações de trabalho adversas e também no dia a dia é um fator essencial para que ele possa gerar a confiança que a empresa precisa ter para desejar mantê-lo em seus quadros.

As empresas precisam de profissionais com alto índice de inteligência emocional. É cada vez maior a necessidade de interagir e de agir como equipe e, por isso, saber se relacionar é fundamental na formação de equipes fortes e unidas.

Capricho, preocupação e zelo são palavras e comportamentos importantes. Toda empresa deseja um profissional que desempenhe suas funções com esmero e capricho.

Ser alguém voltado para resultados, proativo e disposto a perseguir suas metas também é altamente valorizado, e isso não se aprende na escola.

Ser legal conta muito: ser simpático, cortês, não falar mal dos outros e não participar de fofocas, ser prestativo e estar sempre pronto a ajudar. Tudo isso ajuda muito para que as coisas fluam e bons relacionamentos sejam construídos.

O profissional precisa ter um lado empreendedor, pois ele é responsável por uma parte importante do todo e precisa gerir seu “pedaço”, seu tempo, suas tarefas, e organizar-se para que possa render. Novamente, não se aprende a ser empreendedor na escola.

Aqui ainda é interessante colocar um item que para mim é muito importante: aresiliência. Resiliência é um termo da física que fala sobre a capacidade de algo retornar ao seu estado original após ter sofrido uma tensão ou passado por uma situação crítica. É a capacidade de não se deformar e de não perder as características originais após uma situação de pressão. Este termo hoje é muito utilizado na psicologia, principalmente na organizacional, e significa a capacidade do indivíduo em lidar com problemas, superar obstáculos ou resistir à pressão e situações adversas (choque, estresse) sem surtar e, principalmente, conservando posteriormente o mesmo perfil psicológico.

Portanto, em meio a tantas coisas importantes, uma formação torna-se apenas mais um item e, em alguns casos, pode ser até mesmo secundário.

Além disso, três pontos muito importantes sobre formação ainda precisam ser ditos.

O primeiro é que um diploma de conclusão de curso não confere ao seu portador, necessariamente, o conhecimento sobre o assunto. É claro que se pressupõe que o aluno então formado tenha adquirido tal conhecimento, pois ele concluiu um curso que tinha por finalidade transmitir este conhecimento. No entanto, todos nós sabemos que muitos vão às escolas simplesmente para responder às chamadas, colam na hora da prova, para ser aprovados, ou utilizam artifícios para contornar o fato de não terem internalizado os ensinamentos que ali foram transmitidos. Ou seja, um diploma em si não é garantia de conhecimento.

O segundo é que, muitas vezes, o que se aprendeu na escola ou na universidade já está ultrapassado e nem sequer é mais de utilidade para o exercício da profissão. Isso é muito comum nos cursos de áreas como tecnologia ou telecomunicações, em que o conhecimento muda a toda hora e, muitas vezes, é preciso simplesmente jogar fora, literalmente, boa parte do que se aprendeu.

O terceiro ponto é que muitas pessoas obtêm conhecimento de outras formas. Às vezes pela experiência prática, outras vezes por meio de autodidatismo, outras ainda por terem o privilégio do convívio com um grande mestre daquele conhecimento específico.

Estes pontos colocam ainda mais em xeque a importância da formação tradicional, mostrando que, muitas vezes, quem tem o diploma de conclusão de curso pode não ter o conhecimento esperado e, outras vezes, que tal conhecimento pode estar na posse de outros que sequer cursaram uma universidade.

A história nos dá vários exemplos de pessoas que não concluíram seus cursos e que nem por isso deixaram de ser grandes profissionais, impactando não só a si mesmos e suas famílias, mas toda a humanidade. Dois grandes exemplos são os famosos Bill Gates e Steve Jobs, que sequer terminaram seus estudos. Isso demonstra como há muito mais do que o mero conhecimento técnico envolvido na construção de um grande talento ou mesmo de uma carreira.

Dentre estes vários pontos mencionados, talvez alguns sejam até mais importantes do que um diploma universitário. Conheço pessoas que são muito boas no que fazem e, mesmo não tendo um diploma, muitas vezes são melhores do que vários profissionais que ostentam uma formação acadêmica até mesmo de escolas de renome, que infelizmente por se ancorarem única e exclusivamente neste mérito, deixam de se desenvolver outras competências e quando expostos ao dia a dia empresarial, demonstram toda a sua fragilidade e desabam frente às pressões e às necessidades cotidianas, acreditando que, pelo simples fato de terem se formado numa boa instituição de ensino, são superiores a outras.

Como já dito, a formação acadêmica é apenas um item dentre vários outros.

É uma pena que a maioria dos departamentos de RH das empresas ainda não tenha percebido isso e continua endeusando certos profissionais simplesmente porque estes se formaram em universidades ditas como “de primeira linha”, preterindo outros excelentes candidatos por não terem um diploma destas universidades.

Mas não posso deixar de concordar com os profissionais de Recursos Humanos que deveria ser bem mais fácil encontrar grandes talentos dentro do universo de pessoas que já passaram pelo crivo de um vestibular e conseguiram concluir seus cursos em instituições consideradas exigentes. No entanto, o dia a dia demonstra que nem sempre isso é uma realidade. Não é incomum também encontramos grandes talentos fora destas famosas instituições, ao mesmo tempo em que muitas vezes vemos pessoas que foram formadas por estas, mas que não conseguem progredir, vivendo muitas vezes toda uma vida à sombra do fato de um dia terem tido o privilégio de se formar nestas famosas instituições.

Cabe então aos profissionais de Recursos Humanos a desafiante tarefa de filtrar os bons profissionais, os mais completos, independentemente das instituições em que estes foram formados, levando em consideração vários outros pontos também importantes para a formação de um talento.

Desta forma, quatro pontos que considero muito importantes. Em primeiro lugar, formação acadêmica, definitivamente, não é garantia de emprego. Em segundo lugar, o conhecimento pode, sim, ser adquirido de outras formas, que não a tradicional. Em terceiro, no mundo moderno, a absorção de conhecimento deve ser constante e não deve se restringir ao período da formação. E em quarto, formação acadêmica ou mesmo o conhecimento em si não são suficientes para formar um profissional, mas são apenas uma das partes, dentre muitas outras, importantes e necessárias à formação de um bom profissional, de um talento.

Concluo enfatizando que os candidatos a um emprego não menosprezem a formação acadêmica. Pelo contrário, devem aproveitar este período para realmente adquirir conhecimento. Mas mais importante do que a formação é o conhecimento adquirido e o contínuo aprendizado posterior, incluindo a reciclagem daqueles conhecimentos que já não são mais válidos. Mas além disso, não menospreze nunca todos os outros pontos aqui mencionados, ao contrário, reconheça-os todos e procure sempre se desenvolver igualmente, aprimorando-se continuamente em todos os sentidos.

Portanto, formação acadêmica apenas não é garantia de emprego! Um bom profissional, com boa empregabilidade, alia uma boa formação acadêmica a vários os outros pontos que aqui foram descritos.