Arquivo mensais:fevereiro 2020

Um medico herói

Nunca me esqueço, quando em minha residência num hospital da periferia, trabalhei ao lado de um grande e experiente médico que me ensinou muito sobre a minha profissão, que carrego comigo até hoje.

Certa vez, este médico estava cumprindo seu último dia de trabalho, quando iria sair de férias e estávamos de plantão. Ele havia acabado de terminar seu expediente e já estava saindo quando chega um homem com um ferimento de bala no meio do peito, vítima de um assalto.

Vendo a gravidade da situação corremos e o chamamos para nos ajudar e ele volta. Realmente o caso era muito grave. Ao medirmos a pressão do paciente, esta praticamente não existia e ele tinha um grande inchaço no peito. O médico logo compreendeu o que estava acontecendo e rapidamente orienta uma transfusão de sangue enquanto habilmente, com um bisturi, abre a lateral do peito do paciente e neste momento um mar de sangue sai do peito do indivíduo que estava com hemorragia interna.

Em instantes ele já havia enxergado o coração, onde percebe a artéria que estava perfurada pela bala. Imediatamente pinça a artéria que para de sangrar mas, neste momento, o coração para. Sem pensar, com sua própria mão, abre um pouco mais a cavidade e segura com vigor o coração do indivíduo e começa a pressioná-lo entre os dedos e a palma da sua mão, fazendo com que o coração consiga bombear o pouco de sangue que ainda restava naquele corpo.

A transfusão já estava sendo feita, ele continuava apertando o coração para que este não parasse de bombear sangue, enquanto as enfermeiras, em paralelo, ministravam ar de modo forçado nos pulmões do paciente.

Mas em poucos minutos sua mão já começa a ficar exausta e seus músculos já não estavam mais obedecendo, o que fazer? Ele estava literalmente mantendo a vida daquele homem em suas mãos e se parasse o homem morreria. Nesta hora ele rapidamente abre ainda mais a cavidade toráxica do indivíduo, quebra o externo e sobe na mesa e se ajoelha em frente ao paciente de modo que consegue agora usar suas duas mãos e, entrelaçando os dedos e mantendo o coração no meio das palmas de suas mãos, volta a apertar o coração desta vez ainda com mais energia. A cena é bizarra! Não dá para negar. Imagine um homem em cima de uma maca, diante com um paciente que está com o peito totalmente aberto, coração à mostra, apertando este coração deste com suas próprias mãos e sangue, muito sangue por todos os lados, lembrando que tudo isso correu em apenas alguns poucos minutos. Uma cena marcante que estará na minha memória para o resto da minha vida.

Depois de cerca de pouco mais de 5 minutos o coração do homem volta a pulsar sozinho, foi quando o médico pode então descansar e interromper com o processo. Seu rosto e seu peito eram só suor que pingavam como se ele tivesse feito 1 hora de exercício intenso em uma academia.

Mas todo o empenho valeu a pena, o paciente estava agora salvo e com vida. A partir deste momento, eram só procedimentos médicos um tanto quanto corriqueiros, como suturar a artéria perfurada e fechar o peito do paciente.

O médico herói, exausto, sai e vai descansar do enorme stress pelo qual passou nos últimos minutos antes das suas férias. Toma um banho e em seguida vai embora com o sentimento de missão cumprida.

Um mês depois, ao retornar, está um tanto quanto ansioso para reencontrar o paciente e qual não é a sua surpresa, quando ao chegar, encontra vários parentes do paciente que o aguardavam.

Ele sorri para eles mas eles não estavam ali para agradecer, não, mas para processá-lo!

Mas porque?

Porque o paciente trabalhava como modelo e ficou com uma enorme cicatriz em seu peito o que acabou com sua carreira.

Mas espera! Um momento! Se não fosse este médico, o paciente estaria morto!

Sim, todos sabemos disso, mas a família do paciente prefere focar suas atenções nos procedimentos e nas cenas fortes que os enfermeiros relataram de como foi o salvamento daquele paciente.

Onde já se viu, segurar o coração com as próprias mãos e manter o paciente vivo com as próprias mãos! Sim, mas não havia tempo para fazer diferente, alguns tentam argumentar, mas não adianta.

Eles dizem que isso não é forma de se tratar uma pessoa em pleno século XXI. Dizem que voltamos no tempo, que voltamos a idade média. Onde já se viu!?

E agora, veja só o estrago no peito deste rapaz!

Enfim, enquanto os parentes se focam na FORMA de como o médico salvou aquele paciente, outros o irão tratar como heróis, pois sabem que se não fosse a prontidão, a lucidez, toda a energia empregada, bem como toda a perícia em fazê-lo, aquele paciente teria entrado em óbito.

E aqui termina essa história

Gostaria de saber os nomes do paciente e do médico?

O médico se chama General Carlos Alberto Brilhante Ustra e o paciente Brasil

Sim, alguns talvez questionem a forma como o médico agiu, o chamando de torturador (muito embora nunca se achou nada a este respeito), mas eu prefiro chama-lo de HERÓI, pois se não fosse por ele, nós estaríamos iguais a Cuba, hoje.

Não podemos levar a ferro e fogo o que se acontece numa guerra. Querer julgar Ustra agora por qualquer coisa que ele porventura tenha feito, é como demonizar os EUA por ter matado milhares de pessoas em Hiroshima e Nagasaki, ou ainda, tratar heróis de guerra como assassinos, afinal, foi o que todos os heróis de guerra fizeram, mataram dezenas, centenas ou até mesmo milhares de pessoas. Sim, todos os heróis de guerra foram assassinos e mataram muitos.

Então, na hora que formos julgar Ustra ou qualquer outro militar que participou da guerra fria que se travou a partir de 1964 até 1985, lembremos de duas coisas:
1) A primeira, eles estavam em guerra e o inimigo era totalmente inescrupuloso, sabemos disso;

2) E em segundo lugar, mesmo que porventura algumas ações que são um tanto quanto difíceis de serem compreendidas em tempos de paz, tenham sido feitas, tal qual o médico da história acima, Ustra salvou o Brasil do comunismo e todos sabemos disso.

Então, para mim, assim como este médico, ele é um herói!

Muito obrigado General Carlos Alberto Brilhante Ustra, pois, se não fosse o seu patriotismo, sua energia e suas ações, eu não estaria aqui hoje, livremente, postando este artigo na Internet