Páscoa

passover 9
Muitos me perguntam:
Marcelo, o que é a Páscoa, afinal?

Resolvi então fazer este texto para responder a essa pergunta de uma vez por todas.

Bem, para compreendermos a Páscoa, precisamos compreender melhor a história contada pela Bíblia.

Tudo começa quando os israelitas estavam presos lá no antigo Egito. Lembrando que eles foram para lá a convite de José, filho de Jacó (ou Israel), por ocasião dos 7 anos de fartura e 7 anos de fome, conforme previsto pelo próprio José ao interpretar o sonho do Faraó. Nesta época, toda a casa de Israel (Jacó, seus filhos, noras e escravos) foram morar em Gózen, um terra concedida pelo próprio, Faraó à família de Jose.

No entanto, passaram-se mais de 400 anos desde que isso aconteceu e agora os Israelitas (todos os filhos de Israel – Jacó) estão escravizados e trabalhando duro para os egípcios.

No entanto, eles não se esqueceram de uma promessa de Deus, que havia sido feita a Abraão, onde Ele dizia que a descendência de Abraão seria numerosa, como os grãos de areia do mar e como as estrelas do céu e que viveriam numa terra rica e próspera. Isso foi uma promessa, sim Deus prometeu uma terra à descendência de Abraão e agora você sabe da onde vem o termo ”terra prometida”.

Bem, mas eles viviam agora como escravos e corria entre eles uma história que viria um libertador, que os libertaria das garras do então Faraó e do Egito.

Inclusive, esse rumor tomou tanta expressão dentro do Egito que o Faraó mandou matar todos os bebes recém nascidos da casa de Israel. Neste momento, uma mulher de nome Yochabel (ou Joquebede segundo algumas traduções), havia dado à luz a um bebê e, com medo de que os soldados egípcios o matasse, o colocou num cesto e o lançou no Nilo, na esperança de que ele fosse salvo. E de fato foi! Este bebê foi encontrado pela filha do Faraó, que não podia ter filhos e aceitou o bebê como sendo um presente do Nilo e o criou como seu próprio filho, dentro do Egito, ao lado do próprio Faraó. Deu a este menino o nome de Moisés, que significa “tirado das águas”.

Quando Moisés cresce e se torna adulto, ele descobre que não era egípcio, mas sim um Levita Israelita. Um tanto quanto perturbado com tudo isso, se mete numa briga com um egípcio e o mata. O filho do Faraó, alguém como primo irmão de Moisés, com que cresceu, mas de quem tinha grande ciúmes, fica sabendo e pressiona Faraó a tomar uma atitude. Faraó então bane Moisés do Egito e o manda ao ermo (deserto) para morrer ou quem sabe, se salvar.

Moisés se salva e é acolhido por Jetro, que tem Zípora como filha, com quem constrói uma família.

40 anos depois disso, Moisés estava pastoreando ovelhas no monte Sinai, quando vê uma sarça pegando fogo, mas não sendo consumida, chamado por algumas traduções como ardente. Ali Deus fala com Moisés e manda que ele volte ao Egito para resgatar os filhos de Israel, para libertá-los.

Moisés obedece e sob a orientação de Deus, volta para libertar os israelitas. Só que nesse momento, diz a Bíblia, Deus endureceu o coração do Faraó, que negou durante muito tempo a libertação do povo hebreu que estava sob seu domínio.

Por isso, sobre ele e sobre todo o Egito caíram 10 pragas (maldições) sendo que a última delas foi a morte dos primogênitos. Nessa hora, o Faraó não suportou mais a pressão e ordenou que todo o povo fosse libertado.

É por causa também desta última praga que existe a páscoa, mas vamos conhecer um pouco mais da história bíblica.
Muito importante também explicar aqui como é que os israelitas contam os dias, como é que eles determinam o início e o fim de um dia. Eles não contam como nós. O dia, para eles, não termina no meio da noite, à meia-noite, mas com o por do sol. Então, se com o pôr do sol finda um dia, consequentemente o outro dia nasce ali, naquele exato momento, que irá terminar novamente com um novo por do sol. Portanto no dia deles sempre há primeiro um período inteiro de noite (escuridão) seguido de um período inteiro de dia (luz). É assim que eles marcam os dias.

Qual foi mesmo a décima praga? A morte dos primogênitos. E em que dia esta 10º praga recaiu sobre o Egito? Na noite do dia 14 do mês de Nisã (que naquela época era chamado de Abibe), do calendário judaico, provavelmente do ano de 1.447 AC (ou 1.513 AC por outro cálculo), mas o ano exato não interfere na compreensão neste momento.

E o que mais aconteceu neste dia? A libertação de todo o povo de Israel do Egito. Sim, Faraó decretou a liberdade dele ainda de noite e no exato instante que Faraó autoriza o livramento, o povo começou a sair do Egito e saíram durante toda a noite e durante todo o dia.

Mas espere, ocorreu algo muito importante antes de tudo isso, nesta mesma noite. O que?

Sabendo de que o “anjo de Deus” viria matar todos os primogênitos, os israelitas foram orientados a passar o sangue de um cordeiro nas ombreiras (batentes) das suas portas para que o anjo de Deus pulasse, ou “passasse por alto”, as casas que tivessem respeitado esta ordem. O anjo que matou os primogênitos pulou as casas cujas ombreiras estavam manchadas com o sangue de um cordeiro.

Os israelitas obedeceram a ordem, os egípcios não!

Resultado? O anjo de Deus desceu e passou por alto a casa de todos os israelitas obedientes (aqueles que não obedeceram também tiveram seus primogênitos mortos), mas não poupou os primogênitos das casas daqueles que não fizeram isso, praticamente a casa de quase todos os egípcios (sim, pois se algum egípcio cingiu os batentes da porta com o sangue de um cordeiro, também teve seus primogênitos poupados e ficaram livres da mão do anjo de Deus).
Faraó se achando superior ao Deus Hebreu, não cingiu sua porta com o sangue de um cordeiro e por isso tive seu primogênito morto e, com isso, cansado de tudo, ordenou que os israelitas fossem libertados.

Relembrando, quando então os israelitas foram libertados? Nessa mesma noite, ou neste mesmo dia. Começaram a partir do Egito mais de 600.000 homens (fora mulheres e crianças, calcula-se que, ao todo, foram de 2 a 3 milhões de pessoas) saíram do Egito naquele dia 14 do mês de Nisã.

Veja uma parte disso descrito na Bíblia no livro de Êxodo, capítulo 12, versículos de 40 a 45:
“E a morada dos filhos de Israel, que haviam morado no Egito, foi de quatrocentos e trinta anos. E sucedeu, ao fim dos quatrocentos e trinta anos, sim, sucedeu naquele mesmo dia que todos os exércitos de Deus saíram da terra do Egito. É uma noite de observância com respeito ao Senhor, por tê-los feito sair da terra do Egito. Com respeito ao Senhor, esta noite é uma de observância da parte de todos os filhos de Israel nas suas gerações. E Deus prosseguiu, dizendo a Moisés e a Arão: “Este é o estatuto da Páscoa: nenhum estrangeiro pode comer dela…”

Muito tempo depois, enquanto eles ainda estavam no deserto, por outros motivos que não vêm ao caso agora, mas já próximos de adentrar à terra prometida, Moisés começa a escrever a Bíblia e inicia escrevendo os cinco primeiros livros: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. E é no livro de Êxodo que ele conta toda essa história sobre a saída dos israelitas do Egito. Mas Moisés não estava só contando histórias do passado, mas estava, inspirado por Deus, escrevendo novas leis, ou em outras palavras, estava construindo a “constituinte” da nação de Israel e ali ele escreveu todas as 613 leis que serviram de base da nação de Israel durante séculos.

Estas leis começam com os famosos10 mandamentos, mas depois continuam, até o número de 613 leis e dentre elas, há a seguinte ordem:
“E tereis de guardar esta observância como regulamento para ti e para os teus filhos por tempo indefinido. E terá de acontecer que, quando entrardes na terra que Deus vos dará, assim como declarou, então tereis de cuidar deste serviço. E terá de acontecer que, quando os vossos filhos vos disserem: ‘Que significa para vós este serviço?’ então tereis de dizer: ‘É o sacrifício da páscoa ao Senhor, que passou por alto as casas dos filhos de Israel no Egito quando feriu os egípcios, mas livrou as nossas casas.’” e isso está escrito no livro de Êxodo, capitulo 24, versículo 27.

Em Hebraico o nome dessa celebração é Pessach, que significa “passagem” e em inglês recebeu o nome de Passover, que significa “passar por alto”. Note que ambas fazem referência e relembram o momento em que o anjo de Deus passou direto, ou passou por alto, a casa dos israelitas, poupou assim seus primogênitos.

Este termo Pessah em Hebraico é chamado de Páskha em Grego, da qual originou a palavra Páscoa em português.

Assim sendo a Páscoa comemora tanto a libertação dos israelitas do Egito mas também (e principalmente) o fato deles terem tido seus primogênitos poupados quando o anjo de Deus “passou por alto” suas casa.

E em que dia então os israelitas deveriam comemorar a Páscoa? Sempre no dia 14 do mês de Nisã, no mesmo dia (noite) em que os primogênitos foram poupados (que o anjo passou por alto a casa deles), que é também o mesmo dia em que saíram do Egito.

A Páscoa era seguida da Festividade dos Pães Não Fermentados, que durava 7 dias, de 15 a 21 de Nisã, e esse sempre foi um período de festas para os israelitas, mas isso não vem ao caso agora.

Me perdoem a extensão do artigo, mas ainda é muito importante compreendermos também outra parte da história para compreendermos melhor toda essa história da Páscoa. Os israelitas tiveram reis durante um bom período. E como eles eram instituídos? Através de unção, com o derramamento de óleo sagrado sobre sua cabeça. O sumo-sacerdote (a pessoa com o mais alto cargo espiritual da nação) ungia um dos israelitas para ser o rei da nação. Ele fazia isso orientado por Deus. O primeiro rei da nação de Israel foi Saul. No entanto, Saul começou a desobedecer a Deus e Samuel (o sumo-sacerdote da época) ungiu Davi, destituindo Saul do cargo de Rei. Depois, foi Salomão e assim por diante e a linhagem continuaria por descendente, mas mesmo assim, mesmo sendo filho de um rei, havia de ser ungido pelo sumo-sacerdote da época para se tornar Rei.

Em dado momento, os filhos de Salomão, Roboão e Jeroboão, disputaram o reino e nesse momento, a nação de Israel se dividiu em duas partes, sendo que, de um lado, ficaram as tribos de Judá e Benjamin, e do outro, as outras 10 tribos. Nesta divisão, Deus disse que se manteria com a casa de Judá (como a tribo de Benjamin era bem pequena, passou então a ser chamada apenas de Judá), e é desta tribo que vem os judeus.

A partir de então, apenas os judeus permaneceram cumprindo as leis e celebrando a Páscoa, e isso continuou assim por muitos anos.

No entanto, até mesmo a nação de Judá (os judeus) se desviou da “adoração verdadeira” e se perdeu na adoração de “deuses falsos”. Nessa hora, Deus tirou deles o direito de ter um rei ungido e disse que se passariam 7 tempos sem que houvesse um rei ungido, ou em outras palavras, abençoado e que governasse orientado por Deus.

Isso foi dito através de um sonho que o rei Nabucodonosor teve, conforme narrado pelo profeta Daniel em seu livro, Daniel, capítulo 4, dos versículos de 10 a 17:
“Ora, aconteceu que eu estava vendo as visões da minha cabeça, sobre a minha cama, e eis que havia uma árvore no meio da terra, sendo enorme a sua altura. A árvore tornou-se grande e ficou forte, e a própria altura dela por fim atingiu os céus, e ela era visível até a extremidade da terra inteira. Sua folhagem era bela e seu fruto abundante, e havia nela alimento para todos. Debaixo dela os animais do campo procuravam sombra e nos seus galhos habitavam as aves dos céus, e toda a carne se alimentava dela. Eu continuei a ver nas visões da minha cabeça, sobre a minha cama, e eis que havia um vigilante, sim, um santo, descendo dos próprios céus. Ele clamava em alta [voz] e dizia o seguinte: “Derrubai a árvore e cortai-lhe os galhos. Sacudi a sua folhagem e espalhai os seus frutos. Fujam os animais de debaixo dela e as aves dos seus galhos. Todavia, deixai-lhe o próprio toco na terra, sim, com banda de ferro e de cobre, entre a relva do campo; e seja molhado pelo orvalho dos céus e seja seu quinhão entre a vegetação da terra. Mude-se-lhe o coração daquele do gênero humano e dê-se-lhe um coração de animal, e passem sobre ele sete tempos. A coisa é por decreto dos vigilantes e o pedido é [pela] declaração dos santos, para que os viventes saibam que o Altíssimo é Governante no reino da humanidade e que ele o dá a quem quiser, e estabelece nele até mesmo o mais humilde da humanidade.”

Este sonho teve dupla aplicação, tanto para o próprio Rei Nabucodonosor, mas também para a nação de Judá, que aqui estava sendo representada por esta grande árvore que foi cortada e que caiu e que permaneceria assim, sem crescer mais, por 7 tempos. O último rei ungido dos Judeus foi Zedequias, que reinou por 11 anos apenas até o ano de 618 AC. Desde esta data os Judeus ficaram sem rei, Jerusalém caiu, os judeus foram levados cativos para Babilônia e depois tomado pelos persas, ficaram novamente sem terra e aguardavam ansiosamente o fim daqueles 7 tempos e voltaram a aguardar os dias em que teriam novamente um rei ungido, que devolveria toda a glória que estes já tiveram um dia.
Muito bem, o que os judeus estavam esperando mesmo? Um rei ungido, certo? Veja, eles esperavam (e ainda esperam) o UNGIDO. Como se fala ungido em hebraico? Ma-shi-ahh, ou Messias. E como se fala ungido em Grego? Khri-stós, ou Cristo. Sim, Cristo, Messias e Ungido, são palavras que significam a mesma coisa. Ungir é untar com óleo e receber uma bênção especial, mas o que quer dizer mesmo aqui neste caso é receber a unção de Deus para o exercício de uma função específica, aqui no caso, a de governar a nação de Judá, ou de ser o rei de Judá, ou de ser o rei dos judeus.
E agora, por fim, vamos agora compreender o último ponto desta história bíblica: Jesus.

Muito tempo depois de tudo isso, nasce Jesus, que, como um bom judeu, respeitava as leis e comemorava a Páscoa.
Jesus, para muitos, foi apontado como o Messias, o Ungido, ou o Cristo (todas essas palavras significam a mesma coisa). No entanto, para os judeus, isso nunca foi aceito. Por vários motivos e eles não reconheciam na pessoa de Jesus o rei tão esperado, que traria a eles novamente a glória da nação da época de Salomão? Como poderia Jesus ser o seu novo governante, ou o rei dos judeus, vindo ele de Nazaré (um lugar bem pobre) e sendo filho de um carpinteiro, dentre outras coisas tão simples?

Compreende melhor agora por que Pilatos perguntou para Jesus: “És tu o rei dos judeus?”

Este era o grande problema que estava em questão nos dias de Jesus, se ele era ou não o rei dos judeus, o Ungido, o Messias, o Cristo!

Bem, o fato é que alguns acreditavam que sim, mas outros dizem que não.

Não vou entrar no mérito de quem está com a razão aqui. O fato é que Jesus foi, sim, reconhecido por muitos como o tão esperado rei ungido, e aqueles que o reconheceram como rei passaram a segui-lo e se tornaram seus seguidores, os cristãos (aqueles que seguem a Cristo).

Jesus comemorou todas as Páscoas por todos os anos até que, quando tinha 33 anos e meio, reúne-se com seus apóstolos para celebrar a sua última Páscoa, no exato dia 14 do mês de Nisã, como de costume. Só que naquele dia, após ter celebrado a Páscoa, comendo os pães não fermentados e as ervas amargas, que relembravam como havia sido a vida dos israelitas no Egito, Jesus faz algo bem diferente. Vejamos isso nas palavras da própria Bíblia, no livro de Mateus, capítulo 26, versículos de 26 a 30:
Ao continuarem a comer, Jesus tomou um pão, e, depois de proferir uma bênção, partiu-o, e, dando-o aos discípulos, disse: “Tomai, comei. Isto significa meu corpo.” Tomou também um copo, e, tendo dado graças, deu-lhes, dizendo: “Bebei dele, todos vós; pois isto significa meu ‘sangue do pacto’, que há de ser derramado em benefício de muitos, para o perdão de pecados. Eu vos digo, porém: doravante, de modo algum beberei deste produto da videira, até o dia em que o beberei novo, convosco, no reino de meu Pai.” Por fim, depois de cantarem louvores, saíram para o Monte das Oliveiras.
Veja essa mesma passagem, como foi relatada por Lucas em seu livro, no capítulo 22 nos versículos de 14 a 20:
“Por fim, quando chegou a hora, recostou-se à mesa, e os apóstolos com ele. E ele lhes disse: ‘Desejei muito comer esta páscoa convosco antes de eu sofrer; pois, eu vos digo: Não a comerei de novo até que se cumpra no reino de Deus.’ E, aceitando um copo, deu graças e disse: ‘Tomai isto e passai-o de um para outro entre vós; 18 pois, eu vos digo: doravante não beberei mais do produto da videira até que chegue o reino de Deus.’ Tomou também um pão, deu graças, partiu-o e deu-lho, dizendo: ‘Isto significa meu corpo que há de ser dado em vosso benefício. Persisti em fazer isso em memória de mim.’ Do mesmo modo também o copo, depois de terem [tomado] a refeição noturna, dizendo: ‘Este copo significa o novo pacto em virtude do meu sangue, que há de ser derramado em vosso benefício.”

Veja depois como continua nos versículos de 28 a 30:
“No entanto, vós sois os que ficastes comigo nas minhas provações; e eu faço convosco um pacto, assim como meu Pai fez comigo um pacto, para um reino, a fim de que comais e bebais à minha mesa, no meu reino, e vos senteis em tronos para julgar as doze tribos de Israel.”
Bem, percebam aqui que Jesus fez aqui um novo pacto com estes apóstolos, um pacto maior do que havia sido feito anteriormente com Abraão, com a sequência da saída do Egito (todos eles envolvendo sangue, pois pacto envolve sangue) e agora novamente com o derramamento de sangue, desta vez dele próprio, “o cordeiro que tira o pecado do mundo”, mas sem entrar no mérito deste ponto aqui, o fato que ele instituiu aqui um novo pacto, uma nova celebração, e ainda pediu: “Persisti em fazer isso em memória de mim.” E disse também: “Desejei muito comer esta páscoa convosco antes de eu sofrer; pois, eu vos digo: não a comerei de novo até que se cumpra no reino de Deus.”

Por isso é que esta ceia, ou esta comemoração pascal, é reconhecida como a última ceia, pois segundo as palavras do próprio Jesus, a Páscoa não deveria mais ser celebrada.
E assim se deu com todos os que o obedeceram e seguiram suas orientações e mandamentos. Mas e aqueles que não aceitaram Jesus como ungido como o rei, como o Messias, como o Cristo e não se tornou Cristão? Estes, não deram importância às suas ordens e continuaram a comemorando a Páscoa.

No entanto, aqueles que aceitaram Jesus como rei, como Ungido, como Messias, como Cristo, e o seguiram, seguiram suas ordens, copiaram sua conduta e seus mandamentos e pararam de comemorar a Páscoa, uma festa judaica. Esses cristãos do primeiro século começaram a celebrar o novo pacto, instituído naquela noite do dia 14 do mês de Nisã, que é a celebração da morte de Cristo, conforme descrito em 1 Corinthios 11:24:
“Depois de ter dado graças, partiu [o pão] e disse: ‘Isto significa meu corpo em vosso benefício. Persisti em fazer isso em memória de mim.’”

E porque Jesus disse isso? Porque o sangue do cordeiro foi substituído pelo sangue DELE. Porque assim como o sangue do cordeiro salvou os primogênitos no Egito, o sangue dele também salvará, só que não apenas os primogênitos, mas todos que forem obedientes.

O que isso significa? A compreensão desta parte é que uma nova celebração deveria ser feita pelos cristãos, onde se comesse pão não fermentando, representando o corpo de cristo e que vinho fosse tomado, representando o seu sangue. Ou seja, esta deveria ter sido a última celebração de Páscoa pelos seguidores de Cristo e, a partir deste momento, a celebração seria diferente, colocando para trás a celebração que enaltecia o sangue do cordeiro e colocando agora em evidência, a celebração cristã, que enalteceria o sangue de
Cristo, sua morte, com os emblemáticos pão sem fermento e vinho.

Não se esqueçam então do que é a celebração da Páscoa (ou passover) e que ela é uma celebração judaica e não cristã, e quem a comemora são os judeus, e não os cristãos.

Importante perceber que Jesus comemorou a Páscoa, sim, porque era judeu e estava sob as leis judaicas, mas, no último dia da sua vida, instituiu uma nova celebração, uma nova comemoração que aboliu (por que não dizer proibiu?) a comemoração da Páscoa, uma festa tipicamente judaica, que existia por um propósito que terminou com a sua morte.

Isso está apoiado e relacionado com o que Paulo escreveu aos romanos, no capítulo 10 versículo 4, que diz que Jesus foi o fim da Lei: “Porque Cristo é o fim da Lei, para que todo aquele que exercer fé possa ter justiça.”

Os cristãos não estão debaixo de todas aquelas 613 leis dadas aos israelitas e, por isso não precisam guardar o sábado, não precisam ser circuncidados, podem comer carne de porco, não precisam pagar o dízimo, dentre outras coisas e inclusive, não precisam comemorar a Páscoa, festa de ordenação judaica, e não cristã.

Jesus comemorou a última Páscoa e pôs fim a ela e ali institui um novo pacto com seus seguidores, ao passar o vinho e o pão e em seguida selou este pacto com a sua morte e com o derramamento de seu sangue.

Portanto, cristão nunca deveria comemorar a Páscoa, visto que comemorar a Páscoa é não reconhecer o novo pacto e se igualar aos judeus que não aceitaram Jesus como rei, como Ungido, como Messias, como Cristo e se submeter novamente às leis e tradições judaicas.

Em resumo:
1) Pessah, Passover ou Páscoa é a celebração do dia em que o povo Israleita (e os judeus estavam entre eles) saíram do Egito, bem como o dia em que os primogênitos foram poupados, porque o anjo de Deus passou por alto a casa deles;
2) O que protegeu os primogênitos da morte foi o sangue de um cordeiro, passado no batente da porta;
3) Através de uma lei mosaica, a Páscoa foi instituído como uma festa do calendário do povo de Israel;
4) A Páscoa é uma festa judaica e não cristã;
5) Jesus celebrou a última Páscoa;
6) A celebridade da Páscoa foi substituída por Jesus por uma refeição noturna, onde se comeria o pão sem fermento, que representou seu corpo e o vinho, que representou seu sangue;
7) Os cristãos portanto, por terem aceito Jesus não deveriam mais comemorar a Páscoa, uma vez que a celebração Páscoa significa o não reconhecimento do novo pacto feito com o sangue de Cristo, em substituição do antigo pacto, feito com o sangue do cordeiro;

8) No entanto, é verdade que hoje, eles celebram tanto a morte como a ressureição de Cristo. Bonito que lembram deste momento tão importante da vida de Jesus, no entanto importante deixar claro que a comemoração atual é um tanto bagunçada, visto que:

  1. a) Ainda a nomeiam como Páscoa (passar por alto), termo que não tem nada a ver com a comemoração que fazem, mas faz alusão à festividade judaico;
  2. b) Não utilizam os emblemas que Jesus orientou que fossem utilizados, o pão não fermentado e o vinho;
  3. c) Não respeitam a data de 14 de Nisã, a data da morte de cristo;
  4. d) Comemoram a sua ressurreição. Ok, bonitinho, mas não foi esse o mandamento deixado pelo próprio Cristo. Ele sabia que seria ressuscitado e não pediu para que comemorassem sua ressurreição. O ponto que deveria ser comemorado era a sua morte, com o derramamento do seu sangue, que substituiu o sangue do cordeiro e instituiu um novo pacto.

OBS: Essa história do pacto é mais complexa e posso explicar noutro momento, mas é justamente neste pacto que reside toda a salvação da humanidade, para quem acredita na Bíblia. É importantíssimo compreender este novo pacto, que surge em substituição ao pacto feito com Abraão, lá no passado. Ele que dá as bases para a salvação de não judeus.

Segundo a minha compreensão, ai está toda a explicação da Páscoa à luz da Bíblia.

Mas antes de terminar, duas perguntas normalmente feitas:

  1. Porque não se come carne vermelha na Páscoa?

Na verdade a orientação original é para que se jejuasse na “sexta-feira santa”. O jejum ajuda a desconecta o ser humano do plano carnal e o “eleva”. Numa explicação mais objetiva, a digestão de alimentos consome energia e rouba o sangue para o aparelho digestivo, deixando aquele que comeu mais letárgico. Além disso, há o prazer relacionado a comer. O jejum tanto priva a pessoa de prazeres como deixa o sangue em livre circulação, desconectando desta forma o ser da “carne” e elevando este, deixando mais propício a meditações e reflexões. Depois, com o passar do tempo, como muitos não seguiam esta regra, liberaram o jejum, mas permaneceram com a carne, que por ser de digestão lenta e por estar relacionada também a prazeres, ficou como resquício de se fazer algum sacrifício em prol de se elevar um pouco o espírito, nesta data.

 

  1. E da onde vieram os coelhos e os ovos de chocolate?

Os ovos e o coelho, vem de uma festividade pagã europeia. Nesta época do ano eles homenageavam Ostera, a deusa da Primavera, que segura um ovo em sua mão e observa um coelho, símbolo da fertilidade (por causa da primavera), pulando alegremente em redor de seus pés nus.

ostara (1)

Easter é a palavra utilizada em Inglês para denominar a Páscoa, que surgiu da palavra Ostera, esta festividade pagã. Ou seja, nos EUA, o nome que eles dão a esta data é de origem pagã.

E antes de terminar, talvez ache legal saber como se calcula o dia 14 de Nisã e qual dia corresponde em nosso calendário. Então aí vai mais uma explicação.

Os judeus viviam sob um calendário lunar, de 13 meses de 28 dias. Todos os meses começam com uma lua nova. Para se saber quando começava o mês de Nisã, basta encontrar o equinócio da primavera do hemisfério setentrional (hemisfério norte). Bem, talvez você pergunte: o que é equinócio?
Equinócio vem do latim (só pra variar… rsrsr) aequusnox e quer dizer aequus = “igual” nox = “noite”, ou, em outras palavras, o dia do ano em que o período a noite é igual ao dia, 12 horas exatas. Isso acontece apenas duas vezes ao ano e marca o início da primavera e o início do outono. Quando o equinócio marca o início da primavera (ou o fim do inverno) no hemisfério norte, esse mesmo dia marca o início do outono (ou o fim do verão) no hemisfério sul e vice-versa. Se quiser saber mais a respeito, a Wikipedia tem uma explicação muito boa para o equinócio: http://pt.wikipedia.org/wiki/Equin%C3%B3cio
Muito bem, encontra-se então o equinócio da primavera do hemisfério setentrional (norte) e a partir de então procura-se a primeira lua nova. Pronto! Esse dia marca o início do mês de Nisã. A partir de então, contam-se 14 dias e chega-se à data da Páscoa, que é dia 14 do mês de Nisã. Não é então por acaso que esse sempre será um dia de lua cheia.

Por fim, quero terminar dizendo que eu não estou entrando aqui no mérito de se isso é verdade ou não, ou ainda, se eu acredito ou não em toda essa história e tampouco sobre o que eu penso sobre todo esse assunto. Eu apenas fiz uma explanação, sobre o que é a Páscoa à luz da Bíblia, que tanto instituiu a Páscoa no seu Antigo Testamento, como a desmontou no Novo Testamento e da nova celebração que foi ordenada, segundo as palavras do próprio Jesus.

Este é apenas um texto elucidativo e não tem a intenção de refletir minhas crenças.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

1 × 1 =